{"id":791,"date":"2020-10-20T19:03:12","date_gmt":"2020-10-20T22:03:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.joanatoledoceramica.com.br\/site\/?p=791"},"modified":"2020-10-22T09:16:34","modified_gmt":"2020-10-22T12:16:34","slug":"veja-rio-2020-08-14","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.joanatoledoceramica.com.br\/site\/veja-rio-2020-08-14\/","title":{"rendered":"Veja Rio"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Uma nova gera\u00e7\u00e3o de ceramistas cariocas redescobre a arte milenar<\/h3>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Numa busca que se equilibra entre o moderno e o belo, trabalhar com cer\u00e2mica requer tempo, paci\u00eancia e uma boa dose de resili\u00eancia<\/h5>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Por Fabio Code\u00e7o &#8211; 14\/08\/2020<br>Mat\u00e9ria completa em: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/vejario.abril.com.br\/cidade\/nova-geracao-ceramica\/\" target=\"_blank\">https:\/\/vejario.abril.com.br\/cidade\/nova-geracao-ceramica\/<\/a><\/h6>\n\n\n\n<p>O processo come\u00e7a com a modelagem da pe\u00e7a com a massa ainda male\u00e1vel. Depois, \u00e9 necess\u00e1rio esperar secar completamente para, ent\u00e3o, levar ao forno em duas fases. A primeira transforma barro em cer\u00e2mica, quando ele se solidifica e n\u00e3o volta mais ao estado natural. A partir da\u00ed, ainda poroso, est\u00e1 pronto para receber o esmalte e retornar \u00e0s altas temperaturas em um processo que pode levar um m\u00eas. Ufa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como outras atividades manuais, a cer\u00e2mica requer tempo, paci\u00eancia e boa dose de resili\u00eancia \u2013 nem sempre o resultado final se aproxima do planejado<\/strong>. \u201c\u00c9 uma atividade quase terap\u00eautica, que a cada pe\u00e7a te desafia\u201d, define a carioca Flor Bertarini, 32 anos, que h\u00e1 tr\u00eas montou um ateli\u00ea no Horto, onde produz acess\u00f3rios de cozinha e outros utilit\u00e1rios em formatos minimalistas. Ela comp\u00f5e uma <strong>jovem gera\u00e7\u00e3o de ceramistas cariocas que trocou o emprego pelo prazer de buscar cria\u00e7\u00f5es \u00fanicas com o barro<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ateli\u00eas v\u00eam se espalhando pela cidade. <strong>Recentemente, pelo menos uma dezena abriu as portas exibindo os mais diversos estilos.<\/strong> \u00c0 frente de um deles est\u00e1 Joana Toledo, 40 anos, que j\u00e1 aos 13 frequentava oficinas de cer\u00e2mica. Na hora de escolher a faculdade, por\u00e9m, optou por psicologia, carreira que exerceu por uma d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<p>Fechar o consult\u00f3rio e investir definitivamente em cer\u00e2mica exigiu coragem e esfor\u00e7o para se atualizar. H\u00e1 cinco anos, ela foi aprofundar os estudos em S\u00e3o Paulo, voltou e inaugurou o ateli\u00ea que leva seu nome, em 2017, em Botafogo. Ali, produz e vende, por encomenda ou pronta-entrega, pe\u00e7as que chegam a mesas de restaurantes como Naturalie Bistr\u00f4 e Chez Claude. Como outros colegas, Joana tamb\u00e9m d\u00e1 aulas. <strong>\u201cMuitos chegam em busca de uma terapia, o que o trabalho manual proporciona em algum grau\u201d<\/strong>, diz.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A ceramista ganhou impulso em um movimento que come\u00e7ou h\u00e1 cerca de dez anos, quando jovens chefs e restaurateurs antenados, baseados no Rio, passaram a ver a lou\u00e7a como parte essencial da experi\u00eancia gastron\u00f4mica \u00f3 e n\u00e3o mais apenas como mero recipiente.<\/strong> A\u00ed o mercado para profissionais como Joana disparou. Quase n\u00e3o existem restaurantes contempor\u00e2neos na cidade sem um bom conjunto de lou\u00e7as de cer\u00e2mica, n\u00e3o raro confeccionadas sob medida.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"732\" src=\"https:\/\/www.joanatoledoceramica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/vejario_20200814_02-1024x732.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-795\" srcset=\"https:\/\/www.joanatoledoceramica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/vejario_20200814_02-1024x732.jpg 1024w, https:\/\/www.joanatoledoceramica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/vejario_20200814_02-300x214.jpg 300w, https:\/\/www.joanatoledoceramica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/vejario_20200814_02-768x549.jpg 768w, https:\/\/www.joanatoledoceramica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/vejario_20200814_02-1536x1097.jpg 1536w, https:\/\/www.joanatoledoceramica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/vejario_20200814_02-600x429.jpg 600w, https:\/\/www.joanatoledoceramica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/vejario_20200814_02.jpg 2000w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A quarentena tratou de dar novo empurr\u00e3o aos ceramistas.<\/strong> Com tempo de sobra em casa, as pessoas passaram a valorizar mais os objetos de decora\u00e7\u00e3o. Criada no ano passado por Renata Curado, a cole\u00e7\u00e3o Recadinhos, de copinhos com dizeres como \u201cvai passar\u201d e \u201cbreathe\u201d (respire, em ingl\u00eas), ganhou significado renovado durante a crise sanit\u00e1ria. A ideia original era chamar aten\u00e7\u00e3o para aquele momento de pausa para o cafezinho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa pandemia, um cliente postou fotos dos copos, viralizou e os pedidos explodiram. Tenho feito cinquenta por semana e n\u00e3o estou dando conta da demanda\u201d, celebra a designer, que abriu seu ateli\u00ea no in\u00edcio de mar\u00e7o, dias antes do princ\u00edpio da quarentena.<\/p>\n\n\n\n<p>O tema tamb\u00e9m inspirou Katia Andrade, profissional de inform\u00e1tica e aprendiz que, aos 58 anos, encontrou na cer\u00e2mica seu ref\u00fagio. Atrav\u00e9s de sua marca ela cria pe\u00e7as como os pratinhos quadrados que trazem marcados seus dias de confinamento. \u201cA cer\u00e2mica me d\u00e1 a liberdade de fazer o que vem \u00e0 cabe\u00e7a. Crio as pe\u00e7as seguindo minha intui\u00e7\u00e3o\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de objetos utilit\u00e1rios tem sido o caminho encontrado para quem quer empreender nessa \u00e1rea e ter retorno financeiro que lhe permita viver da cer\u00e2mica \u2013 atividade, ali\u00e1s, cara. <strong>Um forno n\u00e3o custa menos de 17 000 reais e um torno (o equipamento que faz girar a massa para modelar) n\u00e3o sai muito mais barato do que isso.<\/strong> Sem falar no gasto com a luz el\u00e9trica que alimenta as longas fornadas. Ainda assim, proliferam profissionais que buscam na cer\u00e2mica um meio de express\u00e3o art\u00edstica. H\u00e1 oito meses, o fot\u00f3grafo Derek Mangabeira, 30 anos, participou de uma aula experimental no ateli\u00ea Cerami.k, no Humait\u00e1, e foi fisgado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu j\u00e1 trabalhava com arte em diferentes plataformas, mas foi a primeira vez que pude, de fato, manifestar de forma completa aquilo que estava pensando\u201d, conta Derek, que criou a marca Abjeto. Ele desenvolve objetos inspirados na est\u00e9tica japonesa wabi-sabi, valorizando as imperfei\u00e7\u00f5es no processo criativo de esculturas e instala\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde os prim\u00f3rdios da cer\u00e2mica, na pr\u00e9-hist\u00f3ria, ela vem ganhando os mais diferentes usos e as mais diversas formas. A jornalista Camila Oliveira, 29 anos, dona da Ruta, marca que funciona em sua casa, no Flamengo se dedica \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o de an\u00e9is, brincos e colares artesanais. \u201cDa modelagem manual \u00e0 montagem, eu cuido sozinha de todo o processo\u201d, fala a empreendedora, que toca uma produ\u00e7\u00e3o pequena, grande parte dela de pe\u00e7as \u00fanicas.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m nessa atuante gera\u00e7\u00e3o carioca gente que se dobrou \u00e0 cer\u00e2mica mais tarde. \u201cNa quarentena, o que era hobby virou job e, pela primeira vez, me dediquei inteiramente ao ateli\u00ea\u201d, diz a dentista, e agora ceramista em tempo integral, Rosana Bazzo, 51 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dona da Olaria Carioca, que funciona dentro de sua casa, em S\u00e3o Conrado, ela acaba de criar uma interessante linha decorativa a partir de descartes, cer\u00e2micas quebradas, vidro fundido e madeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos desses artistas em algum momento se esbarraram em um mesmo endere\u00e7o: o n\u00famero 732 da Rua Lopes Quintas, no Jardim Bot\u00e2nico. Foi dali, do <strong>ateli\u00ea de Alice Felzenszwalb, que saiu grande parte da turma atual<\/strong>. Formada no Art Institute of Chicago e na ativa desde 1972, Alice \u00e9 mentora de nomes consagrados da cer\u00e2mica contempor\u00e2nea brasileira, como a dupla Gilberto Paim e Elizabeth Fonseca.<\/p>\n\n\n\n<p>Com toda a experi\u00eancia, ela faz uma ressalva aos rec\u00e9m-chegados. <strong>\u201cObservo muita gente que, em seis meses, j\u00e1 come\u00e7a a vender e passa a terceirizar todas as etapas. A cer\u00e2mica requer estudo e alta dedica\u00e7\u00e3o pessoal\u201d<\/strong>, ensina a professora da t\u00e9cnica milenar, que remonta ao per\u00edodo neol\u00edtico. Por sua durabilidade e resist\u00eancia (o material \u00e9 usado at\u00e9 em pe\u00e7as de \u00f4nibus espaciais), ela traz registros de civiliza\u00e7\u00f5es que viveram milhares de anos antes da era crist\u00e3, utilizando os objetos de barro como vasilhames para armazenar \u00e1gua e alimentos.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Mat\u00e9ria completa em: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/vejario.abril.com.br\/cidade\/nova-geracao-ceramica\/\" target=\"_blank\">https:\/\/vejario.abril.com.br\/cidade\/nova-geracao-ceramica\/<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma nova gera\u00e7\u00e3o de ceramistas cariocas redescobre a arte milenar Numa busca que se equilibra entre o moderno e o belo, trabalhar com cer\u00e2mica requer tempo, paci\u00eancia e uma boa dose de resili\u00eancia Por Fabio Code\u00e7o &#8211; 14\/08\/2020Mat\u00e9ria completa em: https:\/\/vejario.abril.com.br\/cidade\/nova-geracao-ceramica\/ O processo come\u00e7a com a modelagem da pe\u00e7a com a massa ainda male\u00e1vel. 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